Discussões e mar.

"Pensei que amasse todas as minhas manias. Mas parece-me que amor já não é mais suficiente para ti."

O sorriso do tormento

"As lembranças vieram em flashes, relembrando-me da minha dor – necessidade, angústia e aflição. Era um mar de desilusão."

Entre sonhos e realidade

"Tornara-me uma viciada, dependendo de cada mínima parte daquele ser irresistivelmente desejável."

Nessa linha tênue entre sonhos e realidade

"Ah! Que vontade de sonhos, de sorrisos, de ser feliz. Que vontade de uma nova realidade..."

E de sobremesa: feminismo

"Tudo parecia caminhar para o fim de encontro ideal. E, então, eles pediram a conta."

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

LC: Ciclo da Herança

Muitos aqui, provavelmente, já ouviram falar em Eragon. Talvez não no livro em si, mas no filme que foi lançado em 2006, tendo como trilha sonora a música "Keep Holding On" da Avril Lavigne. A maioria deve ter até visto o filme (que, em minha opinião, foi bem fraquinho). Mas será que vocês sabiam da existência do livro? Ou melhor... Da saga?




* Para quem gosta de ler em inglês, o preço é até mais em conta - Livraria Saraiva.
Logo abaixo da descrição, tem "aproveite e compre junto". Você pode comprar todos os três em inglês por apenas R$56,40! Quase o preço de um em português.

Muitos devem estar se perguntando: "depois daquele filme fraquinho, o que esse livro pode me oferecer?" Bem... Se você é um bom conhecedor de livros, sabe que adaptações cinematográficas quase nunca são referências para a leitura. A maioria não consegue captar a essência real da história, nem filmar cenas importantes, muito menos seguir fielmente tudo o que o livro descreve! E com Eragon tudo isso é dez vezes pior.


Vamos à resenha, então!

Eragon costumava ser apenas o sobrinho de um fazendeiro. Morava em Carvahall com seu tio Garrow e seu primo Roran, era o único a conseguir entrar na Espinha, uma cordilheira que percorre quase toda a Alagaësia (e sair de lá vivo), e ia para a cidade ouvir as histórias de Brom sobre a época em que os Cavaleiros de Dragões lideravam sua terra e não tinham sido traído pelo rei Galbatorix. Tudo isso muda, porém, quando ele encontra uma pedra azul polida nas montanhas enquanto caçava e a leva para casa para tentar vender e comprar carne para sua família.

Quando a pedra quebra e ele descobre que ela não era nada mais nada menos que um ovo de dragão, Eragon começa a entender que havia muito mais no mundo afora que sua pequena vila. Ele agora fazia parte das histórias que o contador de histórias sempre lhe contava!


Nasce, então, Saphira. E apesar de não saber o que fazer, a amizade entre Cavaleiro e dragão cresce tão rapidamente que se torna impossível para Eragon cogitar a ideia de deixá-la. O que o pequeno fazendeiro não percebe, porém, é que a existência de um novo Cavaleiro, após tantos anos, ameaça o reinado de Galbatorix - e é claro que alguém, alguma hora, irá atrás dele.


Quando os Ra'zac (criaturas estranhas e misteriosas que servem ao rei) aparecem em Carvahall e matam seu tio, Eragon decide se vingar. Juntamente com Brom, o contador de histórias, ele vai à caça dos seres e sai de seu mundinho ao norte de Alagaësia e começa a conhecer toda a terra que antes jamais imaginara ver. Vai aprender, também, tudo sobre a época em que os Cavaleiros eram vivos, a lutar, praticar magia e se tornar um real Cavaleiro de Dragão. Mas, principalmente, precisará fazer uma escolha: vai se juntar aos Varden, os rebeldes que estão contra o rei, ou aliará-se a Galbatorix, eliminando quaisquer chances de um dia a terra em que nasceu ser libertada?


A escrita de Paolini é, ao mesmo tempo, simples e singular. É impossível não viajar para dentro da Alagaësia (principalmente, porque no início do livro há um mapa da terra, com o qual podemos nos situar conforme lemos) com Eragon e Brom. As descrições da história são muito bem feitas, os personagens são maravilhosos e as emoções estão sempre à flor da pele.

Nem preciso falar mais nada, não é?

Minha nota: 10

domingo, 5 de fevereiro de 2012

LC: As Brumas de Avalon


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Adaptação cinematográfica do livro.
  • Editora: Imago
  • Autor: Marion Zimmer Bradley
  • Ano: 1979
  • Volumes: 4: A Senhora do Lago, A Grande Rainha, O Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore
  • Onde comprar: Submarino (aproveitem que está em promoção!) ou Livraria Saraiva
Se você gosta de livros sobre magia, História, religião, guerras e romance, a série As Brumas de Avalon é a pedida certa! Eu nunca ouvira falar antes dessa história e só a comprei porque a saga estava em promoção. Demorei até um pouco para iniciar a leitura, mas uma vez que comecei não parei mais!
Escrita por Marion Zimmer Bradley, As Brumas de Avalon é composta por quatro livros: A Senhora da MagiaA Grande RainhaO Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore. Em todos eles, você encontrará a lenda do Rei Arthur contada através de perspectivas femininas!
A Senhora da Magia inicia-se antes mesmo do nascimento de Arthur. É contada, principalmente, o desenrolar da vida de sua mãe, Igraine, seu casamento descontente com Corlois, o Duque da Cornualha, a ascensão de Uther ao trono da Bretanha e o amor da mulher pelo mesmo. Também encontramos a presença do Merlim da Bretanha, de Viviane, a Senhora do Lago e irmã de Igraine, Morgause, também tia de Arthur, e Morgana, a irmã do futuro rei e também mais importante personagem da saga.
É interesse ler ao longo dos livros as opiniões opostas do povo antigo, das sacerdotisas e druidas de Avalon com seu amor pela Deusa, e dos cristãos, das tentativas de repreensão dos padres à quaisquer outras religiões. Há muitos debates entre Bispo e Merlim, assim como de Gwenhwyfar (Guinevere), mulher de Arthur, contra Morgana, que é sacerdotisa de Avalon e futura Senhora do Lago.
Além disso, o principal ponto de vista é da irmã de Arthur, que apesar de ser a escolhida da Deusa, sofre com dúvidas e inseguranças tão femininas quanto possível. Temos sua paixão pelo primo, Galahad, também conhecido como Lancelote, o filho que ela passa a carregar e não quer ter, sua inveja pela profunda beleza do amor de Lance.
O livro é incrível e eu realmente aconselho a todos a lerem!
Minha nota: 9 – apesar de maravilhoso, demoramos um pouco a “engrenar” e tem cenas que cansam e dá vontade de correr para chegar nas partes mais legais.

LC: O menino do pijama listrado – John Boyne


Quando terminei O Morro dos Ventos Uivantes, corri logo para começar outra leitura, pois não queria perder o ritmo.
O segundo livro que pretendia ler era O menino do pijama listrado e nem sequer cogitei começar por Madame Bovary. Queria algo mais atual e leve, depois de tantas conturbações com a leitura de Emily Brontë.
À primeira vista, achei até esquisito. Senti a diferença da escrita pesar bastante; enquanto O morro dos ventos uivantes é cheio de descrições, sentimentos e palavras complicadas, O menino do pijama listrado é simples e ingênuo.
Levei algumas páginas para me acostumar, mas consegui engrenar rapidamente. Confesso que, mesmo tendo desistido de esperar muito do livro, após minha decepção com o anterior, a história não era exatamente o que eu imaginava.
Aconselharam-me a lê-lo quando terminei A menina que roubava livros. Disseram-me que tinha um enredo similar (não igual – eu mesma achei bastante diferente, tirando algumas exceções) e fiquei curiosa. Todos falavam do livro e do filme, e eu, como uma boa viciada em leitura, quis logo comprar o meu.
Não vou dizer onde, nem quando se passa a história, porque gostei de adivinhar com as dicas impostas pelo Bruno, personagem principal, e espero que os futuros leitores prestem tanta atenção nesses detalhes quanto eu prestei.
O que você precisa saber é: a história é contada em terceira pessoa, mas seu foco é na vida e pensamentos de Bruno, um menino de nove anos, que é filho de um comandante importante para seu país e se vê obrigado a se mudar, devido ao trabalho do pai. O desenrolar acompanha Bruno em sua nova casa, da qual ele não gosta, e suas tentativas frustradas de entender tudo o que está acontecendo à sua volta. Com sua pouca idade, o garoto sente-se confuso e não consegue compreender por que teve que sair de sua casa grande e bonita para se mudar para uma cidade tão feia e viver em uma nova casa meio acabada e bem menor do que a outra. Além disso, da janela do seu quarto, ele consegue ver uma grande cerca, onde várias pessoas vestindo “pijamas” listrados vivem, do outro lado, uma vida completamente diferente da sua.
Mesmo com a ingenuidade de Bruno, aos poucos, o leitor percebe o que está se passando, quem são as pessoas nos pijamas listrados e quem é realmente Bruno, sua família e, principalmente, seu pai.
Para quem gosta de enredos leves e sem muitos acontecimentos, O menino do pijama listrado é a pedida perfeita. A escrita, apesar de simples, é muito boa e dá um ar mais infantil (especialmente, por ser contada a partir da vida de uma criança) e inocente – mesmo Bruno, às vezes, se portando como um garoto mimado. No entanto, ninguém pode realmente culpá-lo, devido à sua criação. Ainda assim, ele é bondoso e bem diferente de sua irmã, Gretel, que está sempre querendo parecer superior.
O final, no entanto, me surpreendeu. Não pelo acontecimento, já que eu esperava que alguma coisa do tipo fosse acontecer, mas pela falta de descrição. Achei que foi tudo muito rápido e sem emoção.
Apesar dos apesares, eu gostei muito da leitura e aconselharia a todos a lerem. Além da inocência, bondade e simplicidade expressas no livro, a principal característica que me fez gostar da história, foi a amizade sem preconceitos e isso é uma lição para a vida toda.
Minha nota: 8.5

LC: O morro dos ventos uivantes – Emily Brontë


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O acréscimo de O Morro dos Ventos Uivantes à minha lista de livros desejados não tinha outra razão que não a sua fama. Depois de tanto ouvir falar do amor desesperado, de Catherine e Heathcliff, do clássico livro, minha ansiedade pela leitura nasceu só para me decepcionar logo de início.
Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que, em nenhum momento, falo da escritora em si. Apesar do desgosto pelo livro, soube apreciar bem as descrições de Emily Brontë e sua escrita impecável. O livro não me prendeu muito no começo, mas se tivesse dedicado mais tempo à ele, tenho certeza que teria lido bem mais rápido.
Vamos, então, ao que interessa.
Terminei-o há pouco mais de duas horas, mas ainda estou me perguntando de onde alguém tirou a ideia de que esse livro é uma história de amor. Todas as frases expeliam ódio, vingança e outras centenas de sentimentos totalmente contrários ao amor. Aliás, para mim, o que Catherine e Heathcliff sentiam um pelo outro não podia ser chamado disso. Era uma obsessão esquisita e desesperada. 
Não é à toa que a Bella se identificava tanto com o livro.
Mas isso foi um dos pormenores. O livro já me desencantou no começo, ao perceber, que era contado por alguém de fora. Não por um narrador oculto, nem em primeiro pessoa, mas por alguém que nem sequer estava lá quando tudo aconteceu. Achei estranho, mas prossegui. Veio, então, outra surpresa: Heathcliff não era só grosseiro. Ele era grosseiro, mesquinho, estúpido, odioso e sem escrúpulos. Mesmo com toda a sua história, nada justificava seu jeito de ser. E, daí, o motivo que quase me fez desistir de seguir em frente com a leitura: o livro, que começa 
praticamente
 contado do final, antes mesmo da história verdadeira ser narrada, já fala da morte de um dos personagens mais importantes.
Sou persistente e, mesmo com todos os motivos para voltar atrás, continuei. Estava já confusa com a quantidade de informações sem explicação, mas comecei a entender quando a Sra. Dean, governanta da Granja dos Tordos, onde o Sr. Lockwood, inquilino da casa de propriedade do Sr. Heathcliff e narrador principal, começa a contar a história dos Earnshaw, Linton e do Heathcliff desde o início, já que cresceu com eles e esteve presente durante todo o enredo.
A história, então, volta para a infância de Catherine Earnshaw e seu irmão, Hindley, no Morro dos Ventos Uivantes, quando o pai dos dois aparece em casa com um menino sem nome nem precedentes, a quem passa a chamar de Heathcliff. O garoto se torna o favorito do Sr. Earnshaw e ganha a afeição de Catherine, uma menina teimosa e indisciplinada, e o ciúmes de Hindley.
O irmão da menina evitava maltratar Heathcliff devido à adoração de seu pai por ele, mas quando o senhor da casa falece e Hindley torna-se o patrão, o cigano vira criado e sofre nas mãos do mais velho dos Earnshaw. Mesmo assim, não perde a amizade de Catherine, por quem é apaixonado, até que ela passa algum tempo na casa dos Linton e recebe a atenção dos irmãos Edgar e Isabella.
Edgar se apaixona por Catherine, que mudou completamente após a hospedagem na casa da Granja dos Tordos. Agora comporta-se como uma mulher educada e está sempre na companhia dos Linton, fazendo crescer em Heathcliff um ciúmes descomunal.
O enredo é grande e, como eu disse antes, não parece nem um pouco um romance romântico. Você tem um pouco de Catherine e Heathcliff, mas após crescerem, todos eles se casam, um por um, e a história volta-se um pouco para os descendentes.
Apesar de todo a ruindade de Heathcliff, o que me deixa perplexa mesmo é o comportamento de Catherine Earnshaw. Egoísta e egocêntrica, a garota não me dá nenhum motivo para gostar de seu personagem do começo ao fim da história. Até mesmo Hindley muda meu pensamento, de quem, no final, chego a sentir pena. Os Linton me irritaram bastante com sua fraqueza e seu jeito mimados, mas se redimiram ao fim da história, me fazendo até gostar deles.
Então, veio a “segunda geração”. E admito que senti pena de maior parte deles. Não gostava nenhum pouco de Linton Heathcliff, mas pude entender o que o tornou tão chorão e amargo. Catherine Linton era outra mimada e chatinha, mas não posso dizer que não gostava dela.
O único personagem que, estranhamente, gostei do princípio ao fim (excetuando-se a Sra. Dean) foi Hareton Earnshaw, filho do Hindley. Ele era desbocado e rude, a imagem perfeita de Heathcliff, que o influenciou desde sua infância, mas não conseguia deixar de acreditar que ele mudaria.
Apesar da boa escrita, certa criatividade e ótimas descrições de Emily Brontë, acredito que O Morro dos Ventos Uivantes, para mim, foi uma perda de tempo. Chegando à metade da história, quase corri para terminar, porque chegava a não me sentir bem enquanto lia, tamanha era a agonia que senti com o sofrimento e ódio descritos no livro.
Minha nota: 7

LC: Orgulho e Preconceito – Jane Austen


Há algum tempo atrás, vi o filme Orgulho e Preconceito e fiquei encantada. Já ouvira falar de Jane Austen, é claro, mas jamais havia lido alguma obra dela. O filme deixou em mim um gostinho de quero mais. Comprei o livro, algum tempo depois, e devorei-o em apenas um final de semana.
Apesar do medo de ter dificuldades com a leitura (um livro clássico é sempre um pouco mais complicado de ser ler do que um livro escrito nos dias atuais) ou cansar-me facilmente do enredo por já ter visto seu filme por quatro vezes em uma mesma semana e seis vezes no total, meu anseio foi infundado. Durante dois dias de incansável leitura, me deliciei com a história da rebelde e determinada Elizabeth Bennet, me apaixonei pelo orgulhoso Fitzwilliam Darcy, me encantei com o romance de Jane Bennet e o Sr. Bingley, ri com as ironias e o sarcasmo do Sr. Bennet, irritei-me com os nervos da Sra. Bennet e com os discursos formais do inconveniente Sr. Collins e imaginei-me no século XIX, vivendo as formalidades da época, indo aos bailes e saraus, apaixonando-me por homens como o Sr. Darcy.
Orgulho e Preconceito, de Jane Austen
Adaptação para o cinema da obra literária, por Joe Wright, em 2005, tendo Keira Knightley como Elizabeth Bennet e Matthew Macfadyen como Fitzwilliam Darcy.

Sinopse: Sem homem algum em casa além do seu marido, a Sra. Bennet está desesperada para ver suas cinco filhas casadas e seguras. As meninas, por sua vez, sabem da importância de conseguir um marido que lhes garanta um lar, pois quando seu já velho pai falecer, as mulheres não terão direito aos seus bens, que serão todos herdados por um primo distante, Sr. Collins.
Por isso, a chegada do solteiro Sr. Bingley, com suas irmãs, cunhado e o amigo, Sr. Darcy, à região causa alvoroço na família. Enquanto Bingley se interessa imediatamente pela mais velha das irmãs Bennets, Jane, Darcy tem dificuldades em se adaptar à sociedade local e entra em discórdia com a segunda das irmãs, Elizabeth. Ambos julgam o outro a partir de suas primeiras impressões, porém, no desenvolvimento do enredo, acabam descobrindo que estavam totalmente enganados.

Opinião: Espetacular! Não tenho uma só palavra contra, exceto o seguinte: não deveria ter acabado. É envolvente, muito bem escrita e fácil de entender, apesar de ter sido finalizada no final do século XVIII.
Misturando romance com comédia, drama e uma pitada de sarcasmo, Orgulho e Preconceito faz o leitor querer ser parte do livro e desejar que o mundo volte àquela época.
Jane Austen era uma magnífica escritora e não foi à toa que essa sua obra tornou-se o segundo livro mais importante da literatura britânica. Mesmo hoje, séculos depois, ainda é um dos mais procurados.

Se você ainda não leu, realmente não sabe o que está perdendo!

Minha nota: 10